Falar sobre dinheiro ainda é um tabu no Brasil, o que acaba gerando insegurança na hora de apresentar valores ao cliente.
Neste artigo, vamos desmistificar algumas ideias equivocadas sobre a cobrança de honorários advocatícios, explicar o que é considerado justo e mostrar como conduzir esse diálogo de maneira profissional e transparente.
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Ao longo deste artigo, serão abordados:

Como cobrar os clientes corretamente?
O advogado deve observar, como parâmetro mínimo, a tabela de honorários previamente estabelecida pela OAB. Ainda que, em um primeiro momento, esses valores pareçam elevados ou difíceis de serem aceitos pelo cliente, eles não são arbitrários.
A tabela leva em consideração fatores como:
- tempo dedicado ao caso;
- complexidade da demanda;
- deslocamentos;
- experiência profissional do advogado.
É fundamental que o cliente tenha ciência da existência dessa tabela e compreenda como funcionam os honorários. Explicar a finalidade da cobrança e o que está incluído no serviço prestado contribui diretamente para a valorização do trabalho advocatício no momento da contratação.
Existem advogados que cobram abaixo da tabela da OAB?
Sim, existem. Contudo, não é uma prática recomendada.
Os valores mínimos da tabela foram calculados justamente para garantir a viabilidade econômica da atuação profissional. Cobranças muito abaixo do recomendado tendem a se tornar insustentáveis ao longo do tempo.
Imagine, por exemplo, um processo trabalhista em que o advogado cobra R$ 10,00 de honorários. Durante o andamento da ação, ele precisa comparecer diversas vezes ao fórum, realizar despachos, conversar com o advogado da parte contrária, acompanhar audiências e cumprir prazos. Nesse cenário, o custo do tempo, do deslocamento e da dedicação supera, em muito, o valor cobrado inicialmente.
Ou seja, o esforço despendido torna-se desproporcional à remuneração recebida.
Um processo pode gerar custos adicionais ao longo do tempo?
Sim, e isso é absolutamente comum.
O andamento processual depende de diversas questões jurídicas e procedimentais. Pode ser necessário interpor recursos, apresentar apelação, cumprir novas determinações judiciais ou adotar estratégias não previstas inicialmente. Tudo isso pode impactar os custos do processo.
Por isso, é essencial ser transparente desde o início, deixando claro ao cliente que novos honorários podem ser cobrados futuramente, conforme a evolução, positiva ou negativa, da demanda.
Afinal, como cobrar honorários de forma adequada?
O ideal é que os honorários sejam cobrados de maneira equilibrada:
- Uma parte antecipada, antes do início do trabalho;
- Outra parte ao longo do processo, conforme as etapas forem sendo cumpridas.
O advogado não deve trabalhar gratuitamente com a expectativa de receber apenas ao final. Tempo, conhecimento técnico e disponibilidade também são custos que precisam ser remunerados.
No começo, esse diálogo pode parecer desconfortável. É comum o cliente considerar o valor alto ou até impagável. Ainda assim, é indispensável conduzir a situação com maturidade, explicando como funciona o sistema judicial, os prazos, a atuação nos tribunais e a complexidade do trabalho envolvido.
E se o cliente pedir desconto?
O desconto pode ser concedido, desde que o valor final seja viável e sustentável para o advogado. Caso não seja possível reduzir o preço, isso deve ser comunicado de forma clara já no primeiro contato.
Cobrar valores justos não significa exceder o recomendado, mas também não significa desvalorizar o próprio trabalho. A precificação correta é parte essencial de uma advocacia profissional, ética e duradoura.
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