O Exame da OAB já foi mais fácil? O que os dados revelam

O Exame da OAB já foi mais fácil? O que os dados revelam

Descubra se o Exame da OAB ficou mais difícil ao longo dos anos. Analisamos dados de aprovação, mudanças no nível das provas e o que isso significa para quem está se preparando.

Exame da OAB era mais fácil?

Você já ouviu alguém dizer que antigamente o exame da OAB era moleza? É provável que sim. E talvez você tenha sentido aquele peso no estômago – aquela sensação de que chegou tarde demais, que a prova de hoje é injusta, que as gerações anteriores tinham vantagem.

Boa notícia: essa sensação não tem fundamento. A história real do Exame da Ordem é muito mais interessante do que o mito. Entendê-la pode mudar completamente a forma como você estuda.

O cenário dos anos 1990: Um filtro diferente

O exame da OAB já foi mais fácil nos anos 90?

O Exame da Ordem na sua versão moderna e obrigatória nasceu com o Estatuto da Advocacia, a Lei 8.906/1994. Os primeiros exames, lá no final dos anos 1990, tinham taxas de aprovação que chegavam a mais de 50%. Mas esse número esconde uma realidade importante.

Em 1995, o Brasil tinha apenas 235 cursos de Direito. Em 2017, eram 1.203. Em menos de 20 anos, o número de faculdades quintuplicou sem que a qualidade do ensino acompanhasse esse ritmo.

Na prática, o candidato dos anos 1990 já chegava ao Exame com uma formação mais uniforme, vindo de um universo menor de instituições. O filtro existia. Só que funcionava antes da prova, dentro das próprias faculdades. Quem chegava até o Exame tinha, em média, uma base mais sólida. Não porque fosse mais inteligente, mas porque o sistema já havia feito a seleção antes.

Outro fator relevante: o formato da época cobrava predominantemente memorização de letra de lei, não aplicação a casos concretos. E as bancas regionais tinham padrões tão variados que um candidato reprovado em São Paulo podia tentar em outro estado, com critérios mais generosos, e depois solicitar transferência. Era uma brecha real no sistema, e muita gente a usou.

O Exame da OAB já foi mais fácil? 2010: A virada que mudou tudo

O primeiro grande divisor de águas foi em 2010, com o Provimento 136 do Conselho Federal da OAB, que criou o Exame Unificado Nacional. A partir dali, acabaram as provas regionalizadas, fecharam-se as brechas entre seccionais, e todos os candidatos passaram a disputar sob as mesmas regras, independentemente do estado em que estivessem.

O primeiro exame unificado foi aplicado pelo CESPE. A partir do segundo, ainda em 2010, a FGV assumiu a banca. E mudou não apenas a organização, mas a própria lógica da prova.

O CESPE era conhecido por questões densas, pegadinhas doutrinárias e um volume amplo de conteúdo a ser memorizado.

A FGV veio com uma proposta diferente: casos práticos. As questões não pedem que você recite a lei. Elas constroem uma situação real, com personagens, conflito e contexto, e exigem que você aplique o direito como se já estivesse advogando.

ATENÇÃO: esse é o erro mais comum entre candidatos que reprovam. Estudam decorando artigos, prazos e requisitos. Chegam na prova, se deparam com um enunciado de dez linhas descrevendo um caso concreto e travam.

A FGV não quer saber se você sabe o artigo. Quer saber se você consegue usá-lo para resolver um problema real.

O conteúdo cresceu… E continua crescendo

O exame da OAB não era mais fácil, mas não foi só a lógica de cobrança que mudou. O conteúdo também se expandiu de forma significativa ao longo dos anos. Em 2010, a 1ª fase tinha 16 disciplinas tradicionais. Em 2013, no 10º Exame, entrou Filosofia do Direito. Em 2023, no 38º Exame, foram acrescentados Direito Financeiro, Eleitoral e Previdenciário. Hoje são 20 disciplinas na 1ª fase.

Na 2ª fase, o candidato escolhe uma das 7 áreas de aprofundamento — Civil, Penal, Trabalho, Empresarial, Constitucional, Administrativo ou Tributário — e precisa construir peças processuais complexas dentro dos critérios específicos de cada área. Cada uma tem suas armadilhas próprias, e a FGV cobra isso com precisão.

Vale lembrar que o formato também passou por ajustes nos primeiros anos: os três primeiros exames unificados tinham 100 questões na 1ª fase e 1 peça mais 5 questões dissertativas na 2ª. A partir do 4º exame, o modelo foi ajustado para 80 questões na 1ª fase e 1 peça mais 4 questões na 2ª. Esse é o formato que você vai enfrentar hoje.

Os números que ninguém te conta

Olha o que os dados reais da FGV mostram:

ExameTaxa de Aprovação
2º Exame Unificado14,9%
9º Exame Unificado11,5%
27º Exame Unificado11,1%
32º Exame Unificado~9–10% (estimativa)
33º Exame — out/202145% — recorde absoluto

O número de inscritos por edição se mantém relativamente estável: entre 120 mil e 150 mil candidatos. Mas o número de aprovados oscila de 13 mil a 68 mil dependendo da edição. Os dados estatísticos também estão disponíveis no site do Exame da Ordem.

Mesma prova, mesma banca, mesmo formato. Resultados completamente diferentes. Não podemos focar apenas no questionamento sobre se exame da OAB era mais fácil antes, mas também avaliar o direcionamento dos estudos de quem foi aprovado.

Isso não é aleatoriedade. É a diferença entre quem treinou para pensar como advogado e quem apenas decorou a lei.

Esse detalhe muda tudo na sua estratégia: como a dificuldade oscila entre edições, você não pode se preparar apenas para passar num exame fácil. Precisa estar sólido o suficiente para passar no mais difícil. Porque você não escolhe o exame. O exame escolhe você.

Por que a carteira vermelha vale mais hoje

A OAB ficou mais difícil em média, sim. Mas não porque as questões são absurdas ou injustas.

O que mudou foi o conjunto: o universo de conteúdo cresceu, a lógica de cobrança se tornou mais exigente, e o volume de candidatos despreparados aumentou muito mais do que o de candidatos bem preparados.

O Exame virou o único filtro real entre um diploma e o exercício profissional da advocacia.

A virada de chave que você precisa ter: você está se preparando com recursos que os candidatos dos anos 1990 simplesmente não tinham. Dados históricos, simulados por banca, resolução de provas anteriores, professores especializados na lógica específica da FGV. Eles passavam porque o filtro era menor. Você vai passar porque a sua preparação vai ser maior.

Quando você pegar sua carteira vermelha, ela vai valer mais do que nunca. Seus futuros clientes sabem que menos de 1 em cada 5 candidatos chega lá. E é exatamente isso que faz eles confiarem em você.

Dominar a lógica da FGV garante pontos na OAB.

Bons estudos e sucesso na sua prova!

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