Uma nova polêmica agita o mundo dos certames no Brasil. Um manifesto assinado por candidatos, professores e cidadãos está cobrando oficialmente dos órgãos de controle, incluindo o Ministério Público e Tribunais de Contas, a suspensão temporária do direito da Fundação Getúlio Vargas (FGV) de contratar com a Administração Pública.
O movimento surge após uma série de reprovações em massa e falhas logísticas que, segundo os signatários, estão ferindo o princípio da eficiência e gerando prejuízos aos cofres públicos.
A principal tese da petição é que a FGV tem adotado práticas de avaliação que resultam em um baixíssimo aproveitamento de vagas. Quando uma banca elabora provas com nível de dificuldade desproporcional ou correções arbitrárias, o Estado não consegue preencher os cargos necessários. O resultado é que a Administração Pública acaba obrigada a realizar novos concursos para as mesmas vagas, duplicando custos operacionais e atrasando a prestação de serviços essenciais à população.
Casos Emblemáticos de Reprovação em Massa
O documento cita exemplos recentes onde a atuação da banca foi duramente questionada. Na Câmara dos Deputados (2023), a taxa de reprovação foi próxima a 90%, com críticas severas a arbitrariedades nas correções das provas discursivas. No concurso da SEE/MG, apenas 20% das vagas oferecidas foram preenchidas. Já na ADAB/BA, de 70 vagas disponíveis, apenas 7 candidatos foram aprovados. Outros casos incluem a PC-PI, com projeção de provimento inferior a 10% das vagas, e o TRT/MS, onde o certame para técnico foi anulado integralmente por erros de logística.
O Que Diz a Lei?
A petição solicita que as autoridades instaurem processos administrativos para apurar a responsabilidade da instituição com base na Lei de Licitações e Contratos. O objetivo é a aplicação de sanções que impeçam a FGV de participar de novas licitações em âmbito federal, estadual e municipal por um período determinado.
A grande crítica do manifesto é o desequilíbrio entre o nível de dificuldade exigido e a remuneração ou atribuições dos cargos. Para os candidatos, a FGV transformou os concursos em barreiras intransponíveis, esquecendo-se da finalidade principal do certame: selecionar os melhores profissionais aptos ao serviço público, e não simplesmente eliminar a totalidade dos inscritos. A mobilização segue ganhando força nas redes sociais e coloca em xeque o modelo de avaliação de uma das maiores bancas examinadoras do país.
Diante de tantas polêmicas e pedidos de suspensão em concursos públicos, fica o questionamento que aflige milhares de bacharéis: seria este o momento de discutir também o afastamento da FGV da organização do Exame de Ordem da OAB?

