Todos os anos, milhares de candidatos são reprovados no Exame de Ordem mesmo após meses de preparação. Na maioria dos casos, o problema não está na falta de esforço, mas na estratégia adotada ao longo dos estudos. Estudar muito não é o mesmo que estudar bem.
Uma das dúvidas mais frequentes entre os examinandos é sobre o que priorizar: lei seca, jurisprudência ou doutrina. A resposta a essa pergunta é decisiva, porque a OAB possui um perfil próprio de cobrança. Ignorá-lo costuma resultar em perda de pontos e frustração no dia da prova.
O erro de estudar para a OAB como concurso de carreira
Um equívoco comum é preparar-se para a OAB como se fosse um concurso de magistratura ou Ministério Público. Isso leva muitos candidatos a gastar tempo excessivo com doutrina aprofundada e decisões judiciais complexas, quando o Exame de Ordem exige, sobretudo, domínio dos fundamentos do Direito e atenção ao texto legal.
Nesse contexto, a lei seca ocupa papel central, especialmente na primeira fase. Grande parte das questões pode ser resolvida com leitura atenta da legislação, observando conceitos, exceções, competências e prazos. Muitos erros decorrem não da falta de estudo, mas da ausência de familiaridade com a redação da norma.
A jurisprudência também aparece na prova, mas de forma pontual. A OAB costuma cobrar entendimentos consolidados dos tribunais superiores, muitas vezes sintetizados em súmulas, sem exigir o acompanhamento de julgados recentes ou informativos extensos.
A doutrina, por sua vez, exerce função complementar. Ela contribui para a compreensão dos conceitos, mas raramente é exigida em profundidade. Quando usada como prioridade, tende a consumir tempo sem retorno proporcional em pontos.
Como organizar o estudo para evitar a reprovação
Uma preparação eficiente para a OAB passa por uma hierarquia clara de estudos:
- Lei seca, como base principal da preparação;
- Jurisprudência, com foco em súmulas e entendimentos consolidados;
- Doutrina, utilizada apenas como apoio para compreensão.
Além disso, a resolução de questões anteriores é indispensável para entender o estilo da banca e identificar quais detalhes costumam ser cobrados.
A reprovação na OAB, na maioria das vezes, não decorre da falta de dedicação, mas de falhas estratégicas. Quem entende o perfil da prova, ajusta o foco dos estudos e direciona melhor o tempo investido aumenta consideravelmente as chances de aprovação e se aproxima da conquista da carteira da Ordem.

