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Concluir a faculdade de Direito e obter a aprovação na OAB é, para muitos, o maior objetivo da graduação. O problema começa no dia seguinte. É comum que o advogado recém-formado se depare com uma sensação paralisante: “ok, e agora?”.
A dúvida não é falta de vontade, é falta de estrutura. Ninguém ensina, de forma prática, como iniciar a advocacia. Este artigo existe para resolver exatamente isso.

O erro inicial: tentar fazer tudo ao mesmo tempo
Um dos maiores equívocos de quem está começando é acreditar que precisa:
- Atender qualquer tipo de cliente
- Atuar em todas as áreas do Direito
- Abrir escritório completo imediatamente
- Criar site, Instagram, cartão, logotipo e CNPJ antes do primeiro caso
Esse movimento gera ansiedade, gasto desnecessário e, principalmente, inércia.
Antes de pensar em crescimento, é preciso pensar em funcionamento mínimo viável.
Primeiro passo: definir como você vai advogar (e não onde)
Antes de escolher área, escritório ou marketing, responda com honestidade:
- Vou advogar sozinho ou associado?
- Vou começar como autônomo ou em parceria?
- Meu foco inicial é aprender ou faturar imediatamente?
Essas respostas definem suas decisões seguintes. Sem isso, qualquer planejamento vira chute.
Organização básica que todo iniciante precisa ter
| Item | O que é | Por que é indispensável |
|---|---|---|
| E-mail profissional | Endereço de e-mail com nome e sobrenome ou nome do escritório | Transmite profissionalismo e evita ruído com clientes e tribunais |
| Pasta digital de clientes | Estrutura de pastas separadas por cliente e processo | Facilita localização de documentos e reduz risco de erros |
| Modelos de documentos | Contrato de honorários, procuração e petições-base | Ganha tempo e evita improviso jurídico |
| Controle de prazos | Agenda digital, planilha ou software jurídico | Perder prazo é falha grave e pode gerar responsabilização |
| Agenda de atendimentos | Registro de reuniões, audiências e retornos ao cliente | Evita esquecimentos e melhora a experiência do cliente |
| Controle financeiro básico | Registro simples de entradas, saídas e honorários | Permite saber se a advocacia está sustentável |
| Backup de arquivos | Cópia em nuvem ou HD externo | Protege contra perda de dados e falhas técnicas |
| Cadastro em sistemas | Acesso ao PJe, e-SAJ, eproc, etc. | Sem isso, não há prática processual |
| Canal de comunicação | WhatsApp Business ou telefone profissional | Organiza atendimentos e separa vida pessoal da profissional |
Área de atuação: escolha estratégica, não emocional
“Gosto de penal” ou “me identifiquei com família” são sentimentos legítimos, mas não bastam para definir uma área de atuação no início da advocacia. A escolha precisa ser estratégica, sob pena de gerar frustração e falta de demanda.
Antes de decidir, o advogado iniciante deve se fazer algumas perguntas objetivas:
- Existe demanda real por essa área na minha cidade ou região?
- Consigo aprender e executar os casos com segurança técnica?
- Tenho acesso a casos, indicações ou portas de entrada nessa área?
No começo, o ideal é trabalhar com uma área principal e, no máximo, uma área complementar. Tentar abraçar muitas frentes ao mesmo tempo gera dispersão, dificulta o aprendizado e enfraquece o posicionamento profissional.
O medo do primeiro cliente é normal (e inevitável)
Quase todo advogado recém-formado sente insegurança ao atender o primeiro cliente. Os receios mais comuns são:
- Medo de errar
- Medo de não saber responder uma pergunta
- Medo de cobrar honorários de forma inadequada
- Medo de parecer inseguro
Esse medo não é sinal de despreparo, é sinal de responsabilidade. A diferença entre quem avança e quem trava não está na ausência do medo, mas na atitude diante dele. Quem avança estuda o caso, pede prazo para responder, consulta fontes confiáveis e entrega a solução possível.
A verdade é simples e dura: ninguém começa pronto. Advocacia se aprende exercendo, não esperando a confiança aparecer sozinha.
Organização financeira desde o início
Mesmo com faturamento baixo ou inexistente nos primeiros meses, o controle financeiro não pode ser ignorado. Desde o início, é fundamental acompanhar:
- Entradas e saídas financeiras
- Custos fixos (internet, sistemas, deslocamento, anuidade)
- Custos por processo
- Honorários acordados com cada cliente
Misturar finanças pessoais com as profissionais é um erro comum e perigoso. Separar essas contas não é sofisticação nem excesso de zelo é questão de sobrevivência profissional.
Marketing jurídico: menos aparência, mais coerência
No início da carreira, muitos advogados erram ao priorizar aparência em vez de estratégia. É comum ver esforços concentrados em:
- Postar por postar, sem objetivo claro
- Copiar conteúdos de outros advogados
- Criar um personagem que não se sustenta na prática
O marketing jurídico inicial precisa ser simples, informativo e coerente com a área de atuação escolhida. Não é sobre volume de postagens, mas sobre constância e clareza.
Autoridade não se constrói com estética ou fórmulas milagrosas, mas com conteúdo útil, repetido ao longo do tempo, de forma honesta e sustentável.
Começar pequeno não é fracasso
Advogar de casa, pegar casos simples, cobrar honorários mais modestos e aprender no processo não diminui ninguém. Pelo contrário, cria base técnica, emocional e profissional.
O que costuma quebrar advogados iniciantes não é falta de inteligência ou talento, mas sim:
- Falta de organização
- Falta de critério nas escolhas
- Falta de paciência com o próprio processo
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