Na 2ª fase da OAB em Direito do Trabalho, muitos candidatos perdem pontos não por falta de conhecimento, mas por não conseguirem localizar rapidamente os artigos certos durante a prova. Uma CLT mal organizada faz o aluno perder tempo, confundir fundamentos e errar detalhes técnicos que a FGV cobra com frequência. Neste artigo, você vai aprender como marcar a CLT do jeito correto, dentro do edital, com um método simples de cores, clipes e remissões numéricas, para ganhar velocidade e segurança na peça e nas questões.
Por Prof.ª Mirella Franchini

Introdução
Se você está estudando para a 2ª fase da OAB, existe um detalhe que parece pequeno, mas que separa quem “vai bem” de quem realmente pontua alto: a forma como você usa a sua CLT no dia da prova.
E eu já adianto: não é sobre ter a CLT mais bonita. Não é sobre marcar tudo. E definitivamente não é sobre decorar artigo.
É sobre ter uma CLT funcional. Uma CLT que, no momento mais importante — quando o tempo está correndo, a pressão aumenta e cada detalhe técnico vale ponto — te ajude a executar com segurança.
Porque a realidade é esta: muitos candidatos perdem pontos não por falta de estudo, mas por falta de método. Eles até identificam a tese, entendem o problema jurídico, mas travam na hora de localizar o fundamento, confundem artigos parecidos, gastam minutos preciosos procurando o que já sabiam… e acabam errando na técnica.
Uma CLT funcional é aquela que, no dia da prova, te permite localizar o fundamento em segundos, confirmar a peça com segurança, não se perder em artigos semelhantes, organizar a resposta com lógica e precisão e escrever com firmeza, mesmo sob pressão.
Porque, na prática, a verdade é uma só: na 2ª fase, tempo e clareza valem ponto. E quem aprende a consultar a CLT do jeito certo não fica refém da memória: fica refém do método.
O que derruba aluno na prova não é falta de estudo
Eu vejo isso o tempo todo. O aluno estuda, entende a matéria, aprende as teses, treina questões… e, ainda assim, chega na 2ª fase e perde pontos por motivos que não têm nada a ver com falta de conhecimento.
O problema, na maioria das vezes, é a execução. Na hora de transformar o que sabe em uma resposta pontuável, ele trava.
E isso acontece de formas muito comuns: o aluno demora para identificar a peça correta, perde minutos preciosos procurando o artigo certo, começa a escrever sem uma base sólida, confunde fundamentos parecidos e, no final, entrega uma resposta “quase certa”, mas tecnicamente incompleta e a FGV não perdoa esse tipo de falha.
O pior é que não costuma ser um erro grande, evidente, que a pessoa percebe na hora. Normalmente é um detalhe. Um detalhe que custa 0,20 aqui, 0,30 ali, 0,40 acolá… e quando o candidato soma tudo, o resultado aparece: ele sai da prova com a sensação de que “sabia o conteúdo”, mas não conseguiu transformar esse conhecimento em pontuação.
E na 2ª fase isso é fatal, porque o que define a aprovação não é só saber o direito: é saber aplicar com técnica, dentro do padrão da banca.
Por isso eu sempre digo: a 2ª fase é uma prova de prática. E prática exige método. Exige um passo a passo claro, uma consulta rápida, uma estrutura segura e um raciocínio objetivo.
É exatamente por isso que a CLT não pode ser tratada como um livro de leitura.
A CLT é uma ferramenta de execução.
Você não vai para a prova para “ler a CLT”. Você vai para a prova para consultar a CLT com inteligência. E consultar com inteligência significa saber onde está o artigo, entender o que aquele artigo entrega e usar isso para construir a peça ou a resposta com precisão.
A FGV não está interessada em saber se você “lembra” do artigo exato de cabeça. O que ela avalia é se você consegue agir como advogado(a) diante de um caso concreto. Ou seja, ela quer medir se você tem capacidade de:
- ler o enunciado e separar o que é relevante do que é distração;
- identificar corretamente o problema jurídico;
- escolher a medida adequada (e não “uma parecida”);
- fundamentar com precisão, sem exagero e sem faltar requisito;
- estruturar uma resposta tecnicamente correta, com começo, meio e fim.
É por isso que a prova não premia “quem sabe muito”. Ela premia quem executa bem. E execução, na 2ª fase, tem uma palavra-chave: clareza.
Clareza para entender o comando. Clareza para escolher a peça certa. Clareza para fundamentar sem confundir. Clareza para organizar pedidos e tópicos.
E aqui entra um ponto decisivo: quando a sua CLT está desorganizada, você perde clareza. Você perde tempo. Você perde segurança. E quando você perde segurança, você começa a escrever com dúvida, e isso aparece no texto, na estrutura e no resultado final.
Por outro lado, quando a sua CLT está marcada do jeito certo e você treina com ela, acontece o oposto: você ganha velocidade, confirma o fundamento em segundos e escreve com firmeza. A peça fica mais limpa, mais objetiva e mais “padrão banca”. Você não fica tentando adivinhar o caminho. Você segue o caminho correto.
A banca não quer que você seja um “decorador de lei”. Ela quer que você seja alguém que identifica o problema jurídico com clareza, escolhe a medida correta, fundamenta com precisão e executa com técnica, exatamente como um advogado faria na vida real.
E a CLT é o instrumento que te permite fazer isso, desde que você organize do jeito certo e treine para usar do jeito certo.
O que o edital permite (e como marcar a CLT sem correr risco)
Antes de qualquer estratégia, você precisa entender uma coisa: a sua CLT pode ser sua maior aliada na prova ou o seu maior problema. E isso não tem relação com o conteúdo, mas com o formato.

Na 2ª fase, a consulta é permitida, mas existe um limite muito claro: você pode consultar a lei, mas não pode transformar a lei em um material comentado. Ou seja, a banca permite que você leve o texto legal organizado para consulta, mas não permite que você leve “explicações” prontas dentro do código.
Por isso, a primeira regra para não correr risco é simples: marcação precisa ser limpa, objetiva e impessoal. Nada que pareça resumo, roteiro escrito, dica pessoal ou explicação do que o artigo significa.
Em outras palavras: o que está permitido deve te ajudar a encontrar o caminho, mas não pode “te dar a resposta pronta”.
O que pode (e deve) ser usado na sua CLT
Para deixar sua CLT funcional e dentro do edital, você pode utilizar:
- grifo ou sublinhado, para destacar trechos essenciais do artigo;
- marca-texto, para organizar por função e ganhar velocidade na consulta;
- clipes coloridos, para sinalizar pontos estratégicos e acesso rápido;
- remissões numéricas de artigos, que são um atalho permitido e extremamente inteligente quando usadas corretamente.
Aqui está o ponto: não é só “poder usar”. É saber usar com método.
Porque grifar por grifar não resolve. Marca-texto sem lógica só cria confusão. E clipe sem estratégia vira enfeite. O objetivo é um só: consultar rápido, com segurança e sem travar.
O que não pode (e você precisa evitar)
Agora, atenção máxima, porque muitos alunos erram justamente aqui.
Você não pode usar na CLT:
- post-it, ainda que pareça “só uma marcação”;
- anotações pessoais, mesmo que sejam pequenas;
- observações nas margens com lembretes, palavras-chave, resumos ou dicas;
- qualquer tipo de comentário, explicação ou “passo a passo” escrito no texto legal.
A regra é clara: consulta pode. Comentário não.
A forma mais segura de marcar (e que realmente funciona)
O método mais seguro e eficiente é organizar a sua CLT com três objetivos:
- velocidade (achar o artigo em segundos);
- clareza (saber se aquilo é tese material, processual ou fundamento de peça);
- segurança (não violar o edital e não correr risco desnecessário).
E é exatamente por isso que eu recomendo um padrão simples, mas extremamente estratégico: 3 cores de marca-texto + clipes por peça + remissões numéricas.
Esse sistema tem uma vantagem enorme: ele funciona na prova porque não depende da sua memória estar “perfeita”. Ele depende do seu método estar pronto. E quando o método está pronto, você não perde tempo tentando lembrar o caminho: você simplesmente executa.
O método das 3 cores (material, processual e peça) e como ganhar velocidade na prova
Se você quer marcar a CLT do jeito certo, precisa entender uma coisa: o problema não é marcar pouco ou marcar muito. O problema é marcar sem critério.
A maioria dos alunos faz marcação por impulso. Vai grifando o que parece importante, usa várias cores sem padrão e, quando percebe, a CLT está inteira colorida… mas continua lenta, confusa e difícil de consultar.
E isso acontece porque marcação sem função não vira método.
Na 2ª fase, você não tem tempo para “procurar”. Você precisa encontrar. E encontrar rápido depende de uma CLT que te entregue três coisas na hora da prova:
a) o fundamento do direito (mérito)
b) a regra processual (técnica)
c) o artigo que define a peça (cabimento e particularidade)
Por isso, o método mais eficiente, e mais fácil de aplicar, é usar apenas 3 cores, cada uma com uma função específica.
Cor 1 — Direito Material (o conteúdo do direito)
Essa cor serve para destacar os artigos que sustentam o direito do cliente ou a tese principal do caso. É o que você usa quando a pergunta é: “Qual é o direito aqui?”, “Qual verba é devida?”, “Qual tese material sustenta o pedido ou a defesa?”
Exemplos clássicos de marcação material na CLT: vínculo de emprego (empregado/empregador); jornada e horas extras; intervalo; salário e remuneração; equiparação salarial; verbas rescisórias e multas; prevalência de norma coletiva.
Essa é a cor que te ajuda a construir a parte “de mérito” com segurança, sem ficar na dúvida sobre qual artigo sustenta o pedido ou a tese defensiva.
Cor 2 — Direito Processual (a técnica que vale ponto)
Agora vem um ponto que muitos alunos subestimam: processo vale muito ponto na FGV.
Na prática, é comum o aluno saber o direito material, mas perder pontuação porque erra a técnica, como: não trabalhar o ônus da prova, esquecer regra de audiência, errar lógica recursal ou confundir o que é requisito e o que é mérito.
Então, essa cor é para marcar os artigos que organizam o procedimento e te ajudam a não cair em erro técnico. Aqui entram, por exemplo: ônus da prova, audiência, revelia e confissão, recursos, preparo e estrutura de execução.
Essa é a cor que evita o tipo de erro que mais derruba na 2ª fase: errar o “como fazer”. E o “como fazer” é exatamente o que a banca avalia.
Cor 3 — Peça (fundamento + particularidade que a banca cobra)
Essa é a cor mais importante para quem quer ganhar tempo e pontuar alto.
Porque a maior dúvida na prova não é “qual artigo fala disso”. A maior dúvida é: “Qual peça é essa?”, “Qual fundamento define o caminho correto?”, “O que diferencia essa peça de outra parecida?”
É por isso que a Cor 3 não é para qualquer artigo. Ela é para o artigo que funciona como um gatilho de execução. O artigo que, quando você bate o olho, você sabe qual peça está fazendo, por que ela é essa peça e qual é a estrutura que a banca espera.
Na prática, é a cor que reduz ansiedade e evita o erro mais caro da 2ª fase: escolher a peça errada ou montar a estrutura errada.
Por que esse método funciona tão bem na 2ª fase?
Porque ele organiza sua consulta mentalmente. Na prova, você não tem tempo para ficar pensando onde está o artigo, se isso é material ou processual, se isso é fundamento da peça ou só um detalhe.
Com as 3 cores, você olha e sabe exatamente o que está vendo. Ou seja: você não consulta no escuro. Você consulta com direção.
E isso te dá três ganhos imediatos:
- velocidade (você acha rápido)
- segurança (você confirma o caminho)
- pontuação (você executa com padrão banca)
CLT por peças: Como usar clipes e remissões para achar o fundamento em segundos
Depois que você aplica o método das 3 cores, vem a parte que realmente muda o seu desempenho na prova: organizar a CLT por peças.
E aqui eu quero que você entenda uma coisa importante: na 2ª fase, você não perde tempo porque não sabe o conteúdo. Você perde tempo porque, na hora de executar, precisa tomar decisões rápidas e confirmar o fundamento com segurança.
E a decisão mais importante da prova é sempre a mesma: qual é a peça?
A partir disso, todo o resto depende do seu caminho estar certo: estrutura, fundamentos, pedidos e até o tom da redação.
Por isso, se existe uma estratégia indispensável para a 2ª fase, é esta: um clipe colorido para cada peça.
Na prática, o clipe te dá velocidade e, ao mesmo tempo, te dá controle emocional. Porque quando você tem um ponto de partida claro, você não entra em pânico. Você não fica “adivinhando”. Você executa.
E aqui está o segredo: clipe é para o artigo que define a peça. Ou seja, é para aquele artigo que, quando você encontra, você sabe que está no caminho certo.
Agora vem a segunda parte do método: remissões numéricas.
Muitos alunos não usam remissão porque acham que é “detalhe”. Mas, na prática, remissão é um dos recursos mais inteligentes para prova, porque ela cria uma trilha de consulta. E o melhor: é permitido, desde que seja apenas número, sem comentários.
Funciona assim: você está em um artigo-base e, ao lado dele, coloca os números dos artigos que você quase sempre precisa consultar junto.
Remissão é isso: consulta guiada. Ela evita que você se perca folheando, esqueça artigos essenciais e deixe pontos técnicos de fora.
O que muda quando você usa clipe + remissão? Você deixa de consultar “no improviso” e passa a consultar com método. Isso faz você ganhar três coisas que são decisivas na 2ª fase:
a) tempo (você encontra o fundamento mais rápido);
b) clareza (você sabe o que é peça, o que é processo e o que é mérito);
c) segurança (você escreve com convicção e estrutura correta).
E quando você tem isso, você não só responde melhor: você responde no padrão que a banca quer corrigir.
Treino: Como transformar marcação em pontuação
Marcar a CLT só faz diferença quando você treina com ela. O objetivo do treino é criar memória visual e ganhar velocidade de consulta, para que no dia da prova você encontre o artigo-base em segundos e escreva com segurança.
A forma mais eficiente de fazer isso é praticar todos os dias, alternando questões e peças, sempre com a CLT aberta e com tempo controlado.
A meta é clara: localizar os artigos essenciais em segundos, ajustando grifos, clipes e remissões sempre que perceber lentidão. Com consistência, você reduz travamentos, evita erros técnicos e aumenta sua pontuação.
Conclusão
No fim, a sua CLT não precisa estar “bonita”. Ela precisa estar funcional. E funcional, na 2ª fase, significa uma CLT que te dá velocidade, clareza e segurança para executar a prova do jeito que a FGV cobra: identificando o problema jurídico, escolhendo a peça correta, fundamentando com precisão e escrevendo com técnica.
Por isso, marcar a CLT não é um detalhe: é parte da sua estratégia de aprovação. Mas essa marcação precisa ser feita do jeito certo e dentro do edital: com grifo e sublinhado, marca-texto, clipes coloridos e remissões numéricas, sem anotações e sem excessos.
Quando você aplica o método das 3 cores (material, processual e peça), organiza os clipes por peça e cria remissões inteligentes, você transforma a CLT em um verdadeiro mapa de consulta rápida, evitando confusões, economizando tempo e reduzindo erros técnicos que custam pontos.
E aqui está o ponto mais importante: a CLT só funciona quando você treina com ela. Não basta marcar e guardar para o dia do exame. É o treino que cria memória visual, automatiza a consulta e te permite escrever com firmeza mesmo sob pressão.
A 2ª fase não é sobre decorar artigos. É sobre saber usar a lei com inteligência. E quando você faz isso, você não apenas melhora sua performance — você aumenta, de forma real, suas chances de aprovação.
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