Como usar ata notarial na prática

Como usar ata notarial na prática

Um simples print screen pode ser rejeitado pelo juiz. Aprenda como usar a ata notarial na prática para blindar as provas digitais
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No direito moderno, a maioria dos conflitos nasce ou se desenvolve no ambiente digital. É uma ofensa em rede social, um descumprimento de contrato combinado por e-mail ou uma confissão enviada por áudio no WhatsApp.

No entanto, o erro mais comum dos profissionais da advocacia é acreditar que um simples print screen (captura de tela) é suficiente para garantir o direito do cliente em juízo.

Telas podem ser facilmente editadas, fraudadas ou apagadas. É aí que entra a ata notarial, um dos meios de prova mais robustos do nosso ordenamento jurídico, capaz de dar “fé pública” a fatos digitais e físicos antes que eles desapareçam.

Se você quer aprender a usar essa ferramenta de forma estratégica e sem desperdiçar os recursos do seu cliente, aqui está o passo a passo prático:

Como usar ata notarial na prática

1. Entenda quando ela é indispensável

A ata notarial não serve apenas para “prints”. Ela deve ser usada sempre que houver o risco de a prova sumir ou ser contestada pela outra parte. Os casos de uso mais comuns incluem:

  • Provas Digitais: Mensagens de WhatsApp, e-mails, postagens em redes sociais, vídeos no YouTube ou conteúdos de sites.
  • Constatação de Fatos Físicos: O estado de um imóvel na entrega das chaves, o barulho excessivo de um vizinho constatado pelo tabelião, ou a recusa de alguém em receber uma notificação.
  • Reuniões e Assembleias: Registrar o que foi dito e decidido em uma reunião de condomínio ou societária turbulenta.

2. O Passo a Passo no Cartório

Ao contrário do que muitos pensam, o processo é ágil, mas exige técnica:

  • Não apague nada: O tabelião (ou o escrevente) precisa ter acesso direto à fonte original. Se for um e-mail, ele acessará o provedor; se for WhatsApp, ele olhará o aplicativo no celular. Levar apenas o print impresso anula a eficácia da ata.
  • Preserve os metadados: Peça para o tabelião incluir na ata elementos técnicos que identifiquem a origem do arquivo, como o número do telefone com o código do país, os cabeçalhos de e-mail (com o IP de envio) ou o link direto (URL) da página web.
  • Ata de áudio e vídeo: Se a prova for um arquivo de mídia, o cartório pode transcrever os trechos principais na ata e salvar o arquivo em uma mídia física ou em um link em nuvem com QR Code anexado ao documento.

3. Custo-Benefício: Como economizar?

A ata notarial é cobrada por folha e o valor varia por estado. Para evitar que a conta do cliente fique astronômica em conversas longas de WhatsApp, faça uma triagem prévia.

Indique ao escrevente exatamente quais datas, horários e trechos da conversa são cruciais para o processo, gerando uma ata cirúrgica e muito mais barata.

O Pulo do Gato: O artigo 384 do Código de Processo Civil deixa claro que a ata notarial atesta a existência e o modo de existir dos fatos. Quando o tabelião assina o documento, o conteúdo passa a ter presunção de veracidade. A outra parte pode até discutir a interpretação da mensagem, mas nunca poderá dizer que a mensagem não existiu.

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