Networking na advocacia: por que ter uma rede de apoio

Networking na advocacia: por que ter uma rede de apoio

Nem todo advogado sabe a quem recorrer diante de uma dúvida prática. Entenda como o networking na advocacia pode ajudar.

Networking na advocacia

1. A pressão de achar que precisa saber tudo

Qual assistente técnico indicar para uma perícia? Qual sistema é seguro para elaborar cálculos trabalhistas? Como colaborar com a citação de um réu não encontrado pelo oficial de justiça? Quanto tempo o juízo de determinada vara leva para analisar um pedido de tutela de urgência?

São perguntas como essas que costumam surgir nos primeiros anos de advocacia, quando a prática revela lacunas que a faculdade não preencheu.

Ter o conhecimento teórico não é a resposta para todos os desafios que um processo pode apresentar. Mesmo conhecendo o direito processual e estudando a matéria, não é raro se deparar com um despacho complexo, que exige documentos ou providências até então desconhecidas.

Muitas vezes essas dúvidas nascem menos da complexidade jurídica em si, e mais da falta de experiência com aquele tipo específico de processo.

Nessas horas o networking na advocacia mostra seu valor. Uma dúvida que exige experiência de um advogado com muito tempo naquele rito muitas vezes é uma situação corriqueira para um colega que já trabalha há anos na área.

Pedir ajuda não demonstra falta de capacidade. Demonstra humildade suficiente para priorizar a causa do cliente antes de qualquer preocupação com a própria imagem profissional, e é exatamente esse tipo de troca que fortalece o networking na advocacia.

2. Ter uma rede de apoio não significa terceirizar sua responsabilidade

Conversar com um colega mais experiente, discutir uma estratégia ou pedir orientação sobre uma situação que ainda não foi enfrentada faz parte do aprendizado. Esse tipo de troca, típica do networking na advocacia, ajuda a enxergar alternativas que, sozinho, talvez não tivesse considerado.

No entanto, a decisão sobre como conduzir o caso continua sendo do advogado responsável. Antes de seguir uma orientação, é necessário analisar se ela se aplica à situação concreta e conferir a legislação e a jurisprudência recente. Também é preciso verificar os riscos envolvidos e formar a própria convicção sobre o melhor caminho a seguir.

A experiência de outro profissional pode servir como referência, mas não substitui a análise técnica do advogado mais próximo da causa.

É justamente por isso que uma boa rede de apoio contribui para a autonomia do jovem advogado, e não para a sua dependência. Com o tempo, situações que antes exigiam a opinião de um colega passarão a fazer parte da própria experiência profissional. Pedir ajuda quando necessário é uma forma de aprender mais rápido, desde que isso não substitua a responsabilidade pelas decisões tomadas em cada caso.

3. Quem deve fazer parte do networking na advocacia?

A rede de apoio jurídica começa a ser formada já na universidade. Colegas de turma que demonstram mais interesse por determinada matéria, que realizaram estágios ou que atuam em outras áreas do direito, como cartórios extrajudiciais, delegacias ou o próprio Judiciário, fazem parte dessa rede desde o início da carreira.

Professores da faculdade ou de cursos e palestras realizados ao longo da carreira também são profissionais a quem se pode recorrer. Geralmente, professores por vocação ficam lisonjeados quando são procurados e têm mais facilidade para transmitir conhecimento.

Colegas de trabalhos anteriores, como escritórios, departamentos jurídicos ou órgãos públicos, também integram essa rede. Quem já passou por experiências profissionais diversas antes de seguir carreira própria costuma reunir contatos de diferentes áreas de atuação, o que amplia as possibilidades de apoio.

Profissionais de áreas correlatas, como contadores, peritos, despachantes e cartorários, completam essa rede de forma estratégica. Esses profissionais atuam com frequência em processos judiciais e acumulam conhecimento prático sobre trâmites que muitas vezes escapa da formação jurídica tradicional.

Grupos profissionais online também merecem atenção. Comunidades de advogados no LinkedIn, grupos de WhatsApp e fóruns especializados por área de atuação ampliam o alcance da rede para além do círculo presencial.

4. Como construir networking na advocacia de forma prática

Construir uma boa rede de contatos exige constância. Não basta conhecer profissionais ao longo da trajetória, é preciso manter esses vínculos vivos, mesmo quando não há nenhuma necessidade imediata de ajuda.

Isso começa por gestos simples: manter contato com colegas de faculdade, ainda que de forma digital, e aproveitar eventos sociais ou jurídicos para reencontrá-los pessoalmente. Ninguém gosta de ser lembrado apenas quando alguém precisa de um favor.

Cursos e palestras presenciais são outra boa oportunidade, especialmente quando há espaço para conversar com os demais profissionais ao final do evento. A própria subseção da OAB à qual o advogado está vinculado costuma promover encontros voltados justamente a incentivar o networking na advocacia.

Participar das comissões da OAB, na área de maior atuação, aprofunda ainda mais esse processo. Formadas por advogados voluntários que se dedicam a estudar temas específicos do direito, essas comissões aproximam a entidade da sociedade e reúnem, nas reuniões periódicas, colegas mais experientes e dispostos a ajudar.

Oferecer ajuda antes de precisar dela é o que diferencia uma rede genuína de uma lista de contatos. Isso pode significar:

  • responder a uma dúvida em um grupo de colegas;
  • indicar um profissional adequado para um caso específico;
  • compartilhar um material relevante sobre determinada matéria;
  • indicar um modelo ou precedente já utilizado em caso semelhante;
  • apresentar um contato útil dentro da própria rede.

Advogados que se tornam referência para os colegas raramente fizeram isso pensando em retorno imediato, e é exatamente essa disposição que fortalece o networking na advocacia ao longo dos anos.

Pedir ajuda também exige alguma técnica. Antes de recorrer a um colega, vale pesquisar o mínimo possível sobre a questão, para que a conversa seja objetiva e não pareça delegar todo o raciocínio a outra pessoa. Explicar o contexto do caso com clareza, ser específico sobre a dúvida e respeitar o tempo de quem está ajudando tornam esse pedido mais eficiente, e aumentam a chance de reciprocidade no futuro.

Construir esses vínculos é apenas metade do trabalho. A outra metade está em reconhecer o momento certo de acioná-los: diante de uma questão processual ainda não enfrentada, de uma área do direito fora do domínio do profissional, de uma situação ética delicada ou de uma dúvida prática sobre o funcionamento de determinada vara ou tribunal. Saber pedir ajuda, tanto quanto saber oferecê-la, é o que sustenta o networking na advocacia ao longo de toda a carreira.

5. Conclusão

Construir uma rede de apoio não significa reconhecer incapacidade para atuar sozinho. Significa compreender que a advocacia é uma profissão complexa demais para que qualquer profissional domine todas as situações que podem surgir ao longo da carreira.

Os primeiros anos costumam revelar isso com clareza: por mais sólida que seja a formação teórica, a prática impõe dúvidas que só a experiência de outro colega consegue resolver com agilidade. Reconhecer esse limite, e buscar apoio quando necessário, é parte natural do amadurecimento profissional, não uma fragilidade a ser escondida.

O networking na advocacia se constrói aos poucos, por meio de gestos simples e constantes: manter contato, oferecer ajuda antes de precisar dela, participar de espaços que aproximam colegas de diferentes gerações e áreas de atuação. Com o tempo, essa rede deixa de ser apenas um recurso para dúvidas pontuais e passa a integrar a própria identidade profissional do advogado, sustentando decisões mais seguras ao longo de toda a carreira.


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