Golpe do falso advogado: como proteger o cliente e o próprio nome

Golpe do falso advogado: como proteger o cliente e o próprio nome

falso advogado

O golpe do falso advogado costuma começar com uma mensagem no WhatsApp. Nela, aparecem a foto do advogado, o número e outras informações corretas do processo. Em seguida, vem a notícia de que há valores a liberar, desde que o cliente pague uma “taxa” por Pix ainda hoje. Essa fraude já mobiliza o Conselho Federal e as seccionais da OAB em todo o país.

O dano não atinge só o cliente. Quando criminosos usam nome, foto e número de inscrição de um profissional real, a confiança na relação advogado-cliente fica abalada. Além disso, a reputação de quem nada fez sofre.

Por isso, a prevenção deixou de ser assunto apenas do cliente. Nos tópicos a seguir, o artigo trata dos sinais de alerta e das medidas de proteção da identidade profissional. Depois, aborda a comunicação preventiva com o cliente e as providências cabíveis quando o golpe já aconteceu.

1. Como funciona o golpe do falso advogado e quais são os sinais de alerta

O roteiro é quase sempre o mesmo. Os criminosos identificam pessoas com processos em andamento, em geral a partir de dados públicos dos tribunais. Com essas informações, entram em contato por WhatsApp ou e-mail.

Na abordagem, usam nome e dados de advogados reais, muitas vezes com perfil falso montado com a foto do profissional. Depois, pedem dinheiro a título de depósito judicial, custas processuais ou honorários, na maioria das vezes por Pix.

Segundo a cartilha Contragolpe da Ordem da OAB/SC, alguns sinais merecem atenção imediata:

  • pedido de pagamento por Pix, sobretudo para conta de pessoa física;
  • contato por WhatsApp ou por e-mail de domínio genérico (Gmail, Hotmail);
  • urgência e mensagens enviadas fora do horário comercial;
  • promessa de valores a liberar mediante o pagamento de taxas;
  • envio de documentos “de identidade” para convencer a vítima.

Conhecer esse roteiro é o primeiro passo. Afinal, o advogado só consegue orientar o cliente quando sabe exatamente o que o golpista costuma dizer.

2. Proteção da identidade profissional do advogado

A melhor defesa contra o golpe do falso advogado começa antes de qualquer tentativa de fraude. Quanto menos dados expostos houver na internet, mais difícil fica montar um perfil falso convincente.

Nesse ponto, a cartilha recomenda limitar a divulgação de informações profissionais aos canais oficiais do escritório. Além disso, sugere três cuidados técnicos:

  • e-mail institucional com domínio próprio, em vez de contas gratuitas;
  • assinatura digital reconhecida pela OAB nos documentos;
  • autenticação em dois fatores (2FA) no e-mail, nos sistemas dos tribunais, nos bancos e nas redes sociais.

O domínio próprio tem um efeito prático importante. Se o cliente sabe que o escritório só envia mensagens pelo endereço “@escritorio.adv.br”, qualquer contato vindo de um Gmail já levanta suspeita.

Monitoramento do próprio nome

Também cabe ao advogado monitorar a própria imagem na internet. Uma rotina simples, que pode ser mensal, inclui:

  • pesquisar no Google o próprio nome acompanhado da palavra “advogado”;
  • conferir os dados no Cadastro Nacional dos Advogados (CNA);
  • procurar perfis com a própria foto em redes sociais e aplicativos de mensagem;
  • denunciar perfis falsos à OAB, ao Google e às plataformas.

Para o jovem advogado, essa rotina pesa ainda mais. Isso porque quem está construindo a carteira de clientes depende diretamente da credibilidade do próprio nome.

3. Comunicação preventiva: como o advogado protege o cliente do falso advogado

O cliente informado é o cliente mais difícil de enganar. Por isso, a orientação precisa acontecer logo no início da relação profissional, e não apenas depois de uma tentativa de fraude.

A primeira medida é deixar claro, por escrito, quais são os canais oficiais do escritório. Na mesma comunicação, o advogado deve informar que nunca solicita pagamentos por WhatsApp ou e-mail sem confirmação pelos canais combinados.

Cláusula de canais oficiais no contrato

A cartilha sugere incluir no contrato de prestação de serviços uma cláusula com o telefone e o e-mail específicos para contato. Um exemplo hipotético de redação:

As comunicações entre as partes ocorrerão exclusivamente pelo telefone (xx) xxxx-xxxx e pelo e-mail [email protected]. O CONTRATANTE declara estar ciente de que o CONTRATADO não solicita pagamentos por outros meios. Declara, ainda, saber que custas judiciais são pagas apenas por guias oficiais.

Além da cláusula, o advogado deve formalizar a contratação com assinatura eletrônica em plataforma segura. Assim, o cliente já se acostuma com um fluxo documentado e estranha qualquer pedido informal.

Explicar como funcionam as custas

Muitos clientes não sabem que custas e taxas judiciais são pagas por guias oficiais, como GRU, DARF e DARE. Cabe ao advogado explicar isso de forma simples e repetir a orientação sempre que houver uma cobrança real.

Outra medida útil é indicar ao cliente a plataforma ConfirmADV, do Conselho Federal da OAB. Integrada ao CNA, ela permite confirmar se quem fez o contato é de fato o advogado inscrito.

Alertas periódicos

Por fim, a cartilha recomenda enviar alertas periódicos sobre o golpe do falso advogado e outros golpes comuns, por e-mail, WhatsApp e redes sociais. Uma mensagem curta, a cada nova onda de fraudes, reforça a orientação sem soar alarmista.

Esse conteúdo precisa ter caráter informativo. Desse modo, respeita os limites de publicidade do Código de Ética e Disciplina da OAB e do Provimento nº 205/2021 do CFOAB.

4. O que fazer quando o golpe do falso advogado já aconteceu

Mesmo com prevenção, o golpe do falso advogado pode ocorrer. Nessa hora, agir rápido faz diferença tanto para o advogado quanto para o cliente.

Quando o nome do advogado está sendo usado

A cartilha da OAB/SC indica quatro providências que podem ser adotadas:

  1. registrar boletim de ocorrência imediatamente;
  2. comunicar a seccional da OAB, para que adote medidas institucionais e emita alertas;
  3. notificar os bancos, caso haja movimentações suspeitas em nome do profissional;
  4. pedir a remoção das páginas fraudulentas, por denúncia nas redes sociais ou por ofício às plataformas.

Como cada seccional costuma manter canal próprio para esse tipo de denúncia, convém procurar a OAB do estado em que o advogado está inscrito.

Quando o cliente fez o pagamento

No caso do cliente, o primeiro passo é interromper qualquer novo pagamento e confirmar a situação com o advogado. Em seguida, o cliente deve registrar o boletim de ocorrência, reunindo extratos, prints, dados do fraudador, data, horário e meio de contato.

Outro passo urgente é avisar o banco imediatamente e pedir o Mecanismo Especial de Devolução (MED) do Pix. Nesse pedido, entram a chave Pix, o CPF ou CNPJ do fraudador e o banco destinatário, além da solicitação de bloqueio do valor.

Desde fevereiro de 2026, é obrigatório o MED 2.0, previsto na Resolução BCB nº 493/2025. A nova versão rastreia o dinheiro mesmo quando ele passa por contas intermediárias.

Até então, o bloqueio alcançava apenas a primeira conta recebedora, e o dinheiro costumava ser pulverizado antes disso. Segundo o Banco Central, em 2025 o MED recuperou em média 9,3% do valor contestado.

Além disso, desde outubro de 2025, os bancos devem oferecer a contestação diretamente no aplicativo, sem atendimento humano. Se o banco não responder, o cliente pode registrar reclamação no Banco Central. Por último, convém denunciar o número ou o perfil fraudulento no WhatsApp e nas redes sociais.

Diante do golpe, o papel do advogado vai além de lamentar o ocorrido. Ele pode orientar o cliente em cada etapa, comunicar a OAB com as evidências e reforçar as medidas de proteção do escritório.

Prevenção ao golpe do falso advogado como parte da rotina do escritório

O golpe do falso advogado se aproveita de um ponto sensível: a confiança que o cliente deposita no profissional. Justamente por isso, a resposta mais eficaz também passa pela relação de confiança, construída com canais claros e orientação constante.

Na prática, proteger o cliente e proteger o próprio nome são tarefas que caminham juntas. Dados profissionais controlados, comunicação documentada e reação rápida contribuem para reduzir os danos. Também ajudam a preservar a credibilidade que o advogado leva anos para construir.

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