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Aceitar um novo projeto ou cliente é sempre um momento positivo para qualquer profissional ou escritório.
No entanto, o entusiasmo inicial pode se transformar em um grande prejuízo se o caso carregar indícios de litigância de má-fé, que ocorre quando uma das partes usa de artifícios desonestos, omite a verdade ou altera fatos para obter vantagens indevidas.
Entrar em uma disputa baseada em informações falsas coloca em risco a reputação do profissional, gera perda de tempo e pode resultar em punições financeiras severas aplicadas pelas autoridades de mercado ou pela Justiça.
Saber filtrar essas situações na primeira conversa é uma habilidade fundamental de gestão de risco. Separamos três sinais de alerta para você identificar esses casos antes de assinar o contrato.

Como identificar litigância de má-fé antes de aceitar o caso
1. Incoerências no relato e omissão de documentos
O primeiro sinal de alerta costuma aparecer na própria narrativa do cliente durante as reuniões iniciais.
- Histórias contraditórias: Fique atento se o cliente mudar detalhes importantes do ocorrido a cada conversa ou se a linha do tempo dos fatos não fizer sentido lógico.
- Resistência em entregar provas: Se o cliente afirma ter direito a algo, mas inventa desculpas para não apresentar os documentos básicos (alegando que “perdeu”, que “está com um terceiro” ou que “envia depois”), ligue o sinal de alerta. Quem tem direito legítimo costuma ser o maior interessado em comprovar o que diz.
2. Omissão de tentativas ou disputas anteriores
Um comportamento muito comum em casos de má-fé é o cliente tentar “esconder” que já perdeu aquela mesma discussão no passado ou que já tentou resolver o problema por outras vias sem sucesso.
- Pesquisa de histórico: Antes de fechar o negócio, faça uma busca rápida pelo nome ou CNPJ do cliente nos bancos de dados públicos e de disputas.
- O “turismo de profissionais”: Se você descobrir que o cliente já passou por vários outros profissionais antes de chegar até você, pergunte o motivo. Se ele não souber explicar ou culpar todos os anteriores, pode ser um forte indício de que o caso dele foi recusado por falta de fundamento jurídico ou distorção da realidade.
3. Expectativas irreais e foco no ganho fácil
Preste muita atenção na motivação do cliente. Existe uma linha clara entre buscar a reparação de um prejuízo real e tentar usar uma situação simples para enriquecer ilicitamente ou prejudicar terceiros por vingança.
- Desconfie de clientes que exigem valores de indenização absurdamente desproporcionais ao fato ocorrido.
- Fique atento se a pessoa demonstrar pressa excessiva para fechar o contrato, mas se recusar a preencher fichas cadastrais básicas ou assinar declarações de que as informações prestadas por ela são a expressão da verdade.
Matriz de Risco: Aceitar ou Recusar o Caso?
Para ajudar a sua equipe a avaliar a segurança de um novo projeto, utilize este comparativo simples na fase de triagem:
| Indicador | Caso Seguro (Boa-Fé) | Caso de Alto Risco (Má-Fé) |
| Provas Apresentadas | Documentos claros, legíveis e com nexo. | Apenas relatos verbais, prints soltos ou rasurados. |
| Histórico do Cliente | Transparente sobre conflitos anteriores. | Oculta processos antigos ou decisões contra ele. |
| Postura na Reunião | Focado em resolver o problema real. | Busca vantagem desproporcional ou vingança. |
| Contrato de Serviço | Aceita cláusulas de responsabilidade. | Questiona regras que exigem a verdade dos fatos. |
A Melhor Proteção: Cláusula de Responsabilidade
Para se blindar completamente, o mercado recomenda que os seus contratos de prestação de serviços contenham uma cláusula expressa de veracidade das informações.
Deixe registrado que o cliente se responsabiliza civil e criminalmente por todos os dados, documentos e relatos fornecidos, e que a omissão ou falsidade dos fatos dá direito à rescisão imediata do contrato, sem devolução de valores por quebra de confiança.
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